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Acusados de assassinar promotor no banco dos réus

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A última etapa para definir se os acusados pelo assassinato do promotor de Itaíba, Thiago Faria Soares, 36 anos, vão à júri popular começa amanhã. Nos próximos quatro dias acontecem as audiências de instrução e julgamento do caso. A Justiça Federal irá colher depoimentos das vítimas sobreviventes, das testemunhas de defesa e de acusação. Por fim, será a vez de os réus responderem aos questionamentos.
A expectativa inicial é de que cerca de 30 pessoas sejam ouvidas por meio de videoconferência. A tecnologia será usada para não haver a necessidade de que os moradores dos municípios de Itaíba, Águas Belas, Arcoverde e até do estado de Alagoas, convocados pela Justiça, se desloquem para o Recife. A juíza federal Ethel Francisco Ribeiro, da 36ª Vara, presidirá as audiências.

Além do assassinato do promotor, em 14 de outubro de 2013, os réus também respondem pelas tentativas de homicídios da noiva dele, Mysheva Martins, e do tio dela, Adauto Martins. O mandante do crime, segundo a Polícia Federal, foi o fazendeiro José Maria Pedro Rosendo Barbosa, 55, por conta da disputa pelas terras da fazenda que estava sob posse de Mysheva.
Além de José Maria, estão presos José Maria Domingos Cavalcante, Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva - considerados os executores. Antônio Cavalcante Filho, que teria participação no caso, continua foragido. Os réus serão os últimos a ser ouvidos. Os questionamentos serão feitos pelo Ministério Público Federal, pelos advogados de defesa e pela magistrada.
“Nas audiências vamos mostrar o contraditório das provas produzidas pelo delegado. A Polícia Federal não conseguiu explicar contradições no processo. Se isso acontecesse, José Maria não estaria no banco dos réus”, afirmou o advogado de defesa dele, Fernando Muniz. “O delegado, agora na condição de testemunha, será questionado sobre as contradições em relação a Mysheva”, completou.
Advogado da noiva do promotor, josé Augusto Branco ressaltou que ela está na condição de vítima e que as provas produzidas ao longo do inquérito não deixam dúvidas quanto à culpabilidade dos réus - entre elas as filmagens que flagram o trajeto do carro dos executores e os registros do GPS.

Após as audiências, o MPF e os advogados de defesa vão apresentar as alegações finais para que a juíza federal tome a decisão se os réus vão à júri popular.
Conflitos geraram federalização do caso
As investigações sobre a morte do promotor de Itaíba foram cercadas por conflitos entre a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Enquanto o primeiro seguia a linha de homicídio praticado pela disputa de terras, o segundo acreditava em outras linhas de investigação, inclusive a possibilidade de crime passional.

Sem entendimento entre os dois poderes, promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) solicitaram ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o caso fosse federalizado em 13 de agosto de 2014. Após análise, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou que a Polícia Federal de Pernambuco assumisse as investigações.

Em outubro do ano passado, um delegado federal do Departamento de Crimes Contra a Pessoa, de Brasília, veio ao estado para conduzir o inquérito. Em dezembro, o caso foi concluído e o resultado apresentado foi o mesmo que estava sendo conduzido pela Polícia Civil.